16 abril 2022

Morre general Newton Cruz, outro triste símbolo da ditadura de 1964

 Como autoafirmação, ele aparecia diante da tropa montado em um cavalo branco, às vezes de chicote nas mãos



Luís Alberto Alves/Hourpress

A morte, neste sábado (16), do general Newton Cruz, me trouxe à lembrança a ruindade de um dos representantes da Ditadura de 1964, que terminou com a eleição da chapa Tancredo Neves/José Sarney em 1985. Como autoafirmação, ele aparecia diante da tropa montado em um cavalo branco, às vezes de chicote nas mãos.

Em abril de 1984, o Congresso Nacional iria votar a Emenda Dante de Oliveira, que propunha eleição direta para presidente da República. A votação ocorreria no dia 25 de abril daquele ano. Como cresciam os protestos em todo o Brasil contra o Regime Militar, Newton Cruz, chefe do tenebroso SNI (Serviço Nacional de Informações), proibiu  qualquer tipo de manifestação.

A mais bizarra foi impedir o uso de quaisquer objetos, inclusive peças de roupas, na cor amarela. Caso alguém desrespeitasse, seria preso. Algo parecido ocorreu no governo Michel Temer, em 2017, que baixou decreto classificando de ato terrorista alguém usar frasco de vinagre durante manifestações.  Para cortar o efeito das bombas de efeito moral, o vinagre sumiu dos supermercados em dia de protesto contra a reforma trabalhista.

Rio Centro

Newton Cruz morreu sem conhecer o sabor amargo da prisão por envolvimento no caso do centro de exposição do Rio Centro, no Rio de Janeiro, em que dois militares do Exército, lotados no DOI/Codi, carioca, levaram explosivos para detonar durante show em homenagem ao Dia do Trabalho. Felizmente, uma das bombas estourou no colo do sargento Guilherme do Rosário.

Cruz, como chefe do SNI, tinha conhecimento do que fariam os psicopatas que trabalhavam no DOI/Codi, responsável pelo sumiço de vários opositores do Regime de 1964, entre eles o jornalista Vladimir Herzog e o metalúrgico Manoel Fiel Filho, em 1975 e 1976, respectivamente. Infelizmente, o STF (Supremo Tribunal Federal) trancou o processo e impediu que ele fosse condenado. Rumou para o túmulo sem passar pela cadeia.

Na internet é possível assistir a um vídeo em que um jornalista, durante entrevista coletiva, é agredido por Newton Cruz, num show de truculência. Ali é possível imaginar o que acontecia nos quarteis, com quem tinha coragem e dignidade de bater de frente contra a Ditadura de 1964. Infelizmente, muitas pessoas, por causa do desconhecimento, pedem a volta deste nefasto regime.

Luís Alberto Alves, jornalista e editor do blogue Boca Ligeira.

Amostra de truculência contra imprensa

(166) Liberdade de Imprensa no Brasil - General Newton Cruz - YouTube


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