Como autoafirmação, ele aparecia diante da tropa montado em um cavalo branco, às vezes de chicote nas mãos
Luís
Alberto Alves/Hourpress
A
morte, neste sábado (16), do general Newton Cruz, me trouxe à lembrança a
ruindade de um dos representantes da Ditadura de 1964, que terminou com a eleição
da chapa Tancredo Neves/José Sarney em 1985. Como autoafirmação, ele aparecia
diante da tropa montado em um cavalo branco, às vezes de chicote nas mãos.
Em
abril de 1984, o Congresso Nacional iria votar a Emenda Dante de Oliveira, que
propunha eleição direta para presidente da República. A votação ocorreria no
dia 25 de abril daquele ano. Como cresciam os protestos em todo o Brasil contra
o Regime Militar, Newton Cruz, chefe do tenebroso SNI (Serviço Nacional de
Informações), proibiu qualquer tipo de
manifestação.
A
mais bizarra foi impedir o uso de quaisquer objetos, inclusive peças de roupas,
na cor amarela. Caso alguém desrespeitasse, seria preso. Algo parecido ocorreu
no governo Michel Temer, em 2017, que baixou decreto classificando de ato
terrorista alguém usar frasco de vinagre durante manifestações. Para cortar o efeito das bombas de efeito
moral, o vinagre sumiu dos supermercados em dia de protesto contra a reforma
trabalhista.
Rio Centro
Newton
Cruz morreu sem conhecer o sabor amargo da prisão por envolvimento no caso do
centro de exposição do Rio Centro, no Rio de Janeiro, em que dois militares do
Exército, lotados no DOI/Codi, carioca, levaram explosivos para detonar durante
show em homenagem ao Dia do Trabalho. Felizmente, uma das bombas estourou no
colo do sargento Guilherme do Rosário.
Cruz,
como chefe do SNI, tinha conhecimento do que fariam os psicopatas que
trabalhavam no DOI/Codi, responsável pelo sumiço de vários opositores do Regime
de 1964, entre eles o jornalista Vladimir Herzog e o metalúrgico Manoel Fiel
Filho, em 1975 e 1976, respectivamente. Infelizmente, o STF (Supremo Tribunal
Federal) trancou o processo e impediu que ele fosse condenado. Rumou para o
túmulo sem passar pela cadeia.
Na
internet é possível assistir a um vídeo em que um jornalista, durante
entrevista coletiva, é agredido por Newton Cruz, num show de truculência. Ali é
possível imaginar o que acontecia nos quarteis, com quem tinha coragem e dignidade
de bater de frente contra a Ditadura de 1964. Infelizmente, muitas pessoas, por
causa do desconhecimento, pedem a volta deste nefasto regime.
Luís
Alberto Alves, jornalista e editor do blogue Boca Ligeira.
Amostra de truculência contra imprensa
(166) Liberdade de Imprensa no Brasil - General Newton Cruz - YouTube

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