Infelizmente o coração é terra de
ninguém
O mentiroso tem modo de agir parecido com as cobras
Luís Alberto Alves
Às vezes o perigo está ao nosso
lado e não percebemos. Imaginamos que o ataque vem do lado de fora, e ele se
encontra bem próximo, dentro de nossa casa, ao lado da mesa do escritório da
empresa onde trabalhamos ou da carteira na faculdade em que estudamos.
Nunca imaginamos que algo ruim
poderá vir de alguém que amamos ou temos grande estimação. Em nossa mente, este
tipo de ataque se tornará realidade em pessoas que não temos nenhuma afeição.
Porém nos enganamos, principalmente com os mentirosos.
Tem um ditado chinês que diz o
seguinte: “você deve ter medo dos seus amigos, porque dos inimigos você imagina
o que lhe podem fazer”. Não é ficar complexado. Procurando pelo em ovo, ao
pensar que qualquer um pode lhe provocar algum dano, até mortal.
Manchetes
Infelizmente o coração é terra de
ninguém. Nunca sabemos o que existe no seu interior. O noticiário é repleto de
casos de violência envolvendo homicídios praticados, encomendados por esposas e
esposos. Ocorrências em que os criminosos (quem manda matar também comete o
delito) eram pessoas que, entre aspas, não teriam motivos para entrar nas
manchetes policiais.
Quantas empresas não demitem funcionários,
de cargos elevados, por justa causa, porque compartilharam segredos profissionais
com os concorrentes? Desobedeceu ao código confidencial que assinou ao ser
admitido. Informações que jamais deveriam sair da sala de reunião. Mas este alguém
“insuspeito” quebrou a regra. O tiro saiu de onde ninguém imaginava.
O que dizer do homem ou mulher,
casados há vários anos, que num determinado momento do relacionamento vem à
tona a infidelidade cultivada há décadas. Como reagir neste tipo de situação?
Perdoar? Deixar de lado e prosseguir como se nada tivesse ocorrido?
Ditadura
É alguém mentiroso. Conquistou a
confiança e depois, segura da situação, revelou a péssima índole que já existia
dentro do coração. Algo assim aconteceu na década de 1970, auge do Regime
Militar no Brasil, quando um jornalista simpatizante da ditadura bateu com a
língua nos dentes e informou aos agentes, usados para torturar e matar opositores,
que Vladimir Herzog pertencia ao então PCB (Partido Comunista do Brasil).
Aliás, no interior de qualquer
Força Armada do mundo, o militar que passar informações ao inimigo, é expulso e
preso. Em caso de guerra, morre fuzilado. A mentira é algo terrível. Visto que
pode acabar com a vida ou reputação em fração de segundos, destruindo para
sempre a confiança, que é muito difícil de conquistar.
O grande problema para pessoas
deste tipo de postura é imaginar que nunca serão descobertas. A suas maldades
ficarão ocultas para sempre. Nada é eterno. Principalmente o mal. Após a sua
descoberta nada será como antes. Nem mesmo o perdão vai restaurar o clima
existente antes. A sombra da desconfiança vai reinar para sempre sobre aquela
pessoa. Perdeu a credibilidade.
Luís Alberto Alves, jornalista e
editor do blogue Boca Ligeira
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