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| Muita gente sofreu, e pagou com a própria vida, para o Brasil ter democracia |
Também não me causa nenhum medo, as intimidações de Pms da #Rota
Luís Alberto Alves
Atualmente nós caímos numa
armadilha: a perda da #liberdade de
falar sobre determinados assuntos. Igual em uma #ditadura, caso seja rebelde acaba punido. No #regime militar brasileiro de 1964, a punição era na cadeia, após
sofrer as dores da #tortura por dias
e até meses. Hoje, é o esculacho nas #redes
sociais.
Os atuais #ditadores de plantão escolheram
grafias corretas, na visão deles, para que você se enquadre naquele
quadradinho. Portanto, antes de abrir a sua boca, pense bem no assunto que será
abordado. Do contrário, a infeliz cultura do #“cancelamento” cairá sobre a tua cabeça. Entrará para o clube dos
malditos, na visão desta minoria, que se julga acima do bem e do mal.
Jamais caia no erro de me
chamar de #negro, mas de cidadão
afro-descendente. Para esse pessoal, a palavra #negro soaria de forma pejorativa. Sou #negro há 61 anos e nunca tive problema com a minha #negritude, nem quando me chamavam de
criolo, moreno, cor de chocolate. Sabia distinguir quando era ofensa ou não.
Hoje não é assim, na visão do regime ditatorial existente no País.
Favela
Se você conhece algum dos
11,4 milhões de brasileiros que, por falta de recursos financeiros, tenha uma
casa numa das 6.329 #favelas
espalhadas por 323 cidades deste Brasil, segundo cálculo do #IBGE (Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística), diga que ele mora numa comunidade, nunca #favela. Falar assim é desrespeito.
De repente você está numa
avenida bem movimentada e encontra alguém que pretenda atravessá-la, mas por
sérios problemas visuais não consegue, nunca diga que ajudou um dos 1,1 milhão
de #cegos que existe em nosso País
atualmente. Encha os pulmões de ar e fale #“deficiente
visual”. O contrário é deselegante, mesmo para os 4,4 milhões de pessoas
que têm doenças graves nos olhos.
Caso esteja almoçando em um #boteco e percebeu que alguém encontra
dificuldade para mastigar um pedaço de #carne
durante o almoço, não seja infeliz ao chamá-lo de #“banguela”. Infelizmente ele é um dos 20 milhões de pessoas que
não tem nenhum #dente na boca. No
jargão da atual #ditadura, é um
deficiente bucal.
Fome
Caso você passe pelo inferno
da #Cracolândia, no Centro de SP,
próximo à Praça Princesa Isabel, Avenidas Rio Branco e Duque de Caxias, não
cometa o desatino de dizer que ali se encontra parte dos 3,5 milhões de #drogados existentes no Brasil. Apenas
repita o mantra, de que eles são “usuários de substâncias ilícitas”. Como se
falando assim, a situação se tornasse boa.
Ao ver alguém pedindo
dinheiro para comprar #comida,
também seja educado e nunca fale que essa pessoa está incluída na triste
estatística dos 10,3 milhões de #famintos
existentes no Brasil, de acordo com dados do #IBGE. Apenas diga que são pessoas que enfrenta carência alimentar
ou famélica.
Abra a boca com cuidado e
pronuncie pausadamente que o Brasil tem, atualmente 221.869 pessoas em #situação de rua, segundo dados do #Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada). Para evitar a punição do atual regime ditatorial do #cancelamento, fique longe dos seus
lábios a indecente palavra #“mendigo”.
Médico
Cuidado ao ver ladrões sendo
presos pela #polícia. Como cidadãos,
que recusam trabalho e optam por roubar, os chamem de pessoas que “subtraem
recursos alheios”. A palavra #ladrão
é degradante e pode provocar sérios transtornos psicológicos.
Perante os nossos atuais #ditadores de plantão, uma minoria que
nunca andou de ônibus lotado às 5h da manhã para ajudar no sustento da família,
estudou em escola pública, onde bandidos ameaçam estuprar e roubar professoras;
aguentou histeria de chefe cobrando rápidos resultados, do contrário é
candidato à #demissão, ficou horas à
espera de atendimento médico em #hospital
público, morou na #periferia,
onde a sobrevivência é garantida pela famosa lei do “nada vi, nada falo, nada
ouvi’, o politicamente correto é correto.
Não é! Este que vos escreve
já levou borrachada da #PM, no final
da década de 1970, quando este país vivia numa #ditadura militar, reivindicado que um dia a democracia fosse
realidade. Também perdi parente torturado na casa de terror da Rua Tomaz
Carvalhal, 1.030, bairro do Paraíso, onde funcionava o #DOI/Codi.
Frescura
Por causa de minha #cor, da qual me orgulho, perdi muito emprego e sofri inúmeras
perseguições. Já nem me preocupo quando vou a algum #shopping center, sozinho ou com minha família, e me torno alvo dos
olhos dos seguranças.
Também não me causa nenhum
medo, as intimidações de Pms da #Rota
(Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) e da #Força
Tática, quando me observam lentamente ao volante do meu carro, principalmente
quando chego em casa à noite.
Correto, em minha opinião, é
deixar essa frescura do #“politicamente correto de lado” e
olhar para o próximo. Procurar ajudá-lo. Lutar para que os seus sonhos sejam
realidade algum dia. É levar comida, roupa e palavra de fé aos moradores de
ruas, como faço quando tenho oportunidade, sem a preocupação de aparecer nas
redes sociais.
Revolução
É socorrer alguém,
financeiramente, sem luz, água e comida em casa. É entrar num quarto de #UTI (Unidade de Terapia Intensiva),
como já fiz diversas vezes, e trazer uma palavra de conforto para os familiares
de pacientes próximos da morte. É chorar e se alegrar com o próximo.
Fazer revolução ou acusação
escondido atrás de um celular ou computador é fácil. Difícil é colocar a cara
para bater em público. Em tempo: a #Constituição
Federal me permite a livre manifestação de pensamento, conforme art.5º,
inciso IV, do capítulo I, Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos.
*Luís Alberto Alves,
jornalista e editor do blogue Boca Ligeira.
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