| A farsa do suicídio de Herzog foi descoberta pelo rabino Henry Sobel no IML de SP |
Jornalista foi depor e morreu horas depois sob tortura
*Luís
Alberto Alves
Há
exatos 46 anos, o dia 25 de outubro era um sábado. Naquela manhã, o jornalista
e diretor da TV Cultura, #Vladimir Herzog despediu-se da esposa Clarice e dos
filhos pequenos para ir a um depoimento no famigerado #DOI/Codi (Departamento de
Operações Internas/Centro de Operações para Defesa Interna), na esquina da Rua
Tomaz Carvalhal com Rua Tutóia, Paraíso, Zona Sul, próximo da Avenida 23 de
Maio.
Porém,
o destino não avisaria que ele morreria pouco antes do meio-dia, sob tortura,
para confessar crime do qual desconhecia. Era o auge da #Ditadura Militar, que
havia tomado o poder, ao depor o então
presidente da República, eleito diretamente, #João Goulart (PTB) no final de
março de 1964.
Os #torturadores não sabiam que o assassinato de #Herzog serviria de estopim para
acelerar a degradação do regime. A repercussão de sua morte provocou ato
ecumênico na Catedral da Sé, reunindo cerca de 8 mil pessoas. Elas ignoraram as
ameaças das Forças Armadas, que ordenara o fechamento de todos os cruzamentos
que levassem rumo à Praça da Sé.
Nada
disto intimidou que o culto conduzido pelo arcebispo #Dom Paulo Evaristo Arns, o
rabino Henry Sobel e o pastor presbiteriano James Wright fosse realizado. A
farsa do suicídio de #Herzog acabou destruída no IML (Instituto Médico Legal),
quando o rabino (o jornalista era judeu) Sobel foi preparar o corpo para o
sepultamento, descobriu ferimentos que não revelavam suicídio, mas homicídio.
Em
fevereiro de 1976, os torturadores mataram o metalúrgico #Manoel Fiel Filho. O
ditador Ernesto Geisel mandou prender a equipe de assassinos e exonerou o
general Sylvio Frota, então ministro do Exército, visto que o DOI/Codi era
órgão de segurança vinculado ao II Exército, em São Paulo. Três anos depois, o
Congresso Nacional aprova a Lei de Anistia, suspendendo os assassinatos
cometidos pela Ditadura Militar contra opositores do Regime.
*Luis
Alberto Alves é jornalista e editor do blogue Boca Ligeira
Documentário Vladimir Herzog
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