| Mimados, a maioria dos jovens brasileiros pensa que a vida é um "mar de rosa" |
A juventude atual não sabe o que é “ralar” para conquistar o seu lugar ao sol
*Luís Alberto Alves
Recente pesquisa revelou que valores como solidariedade, tolerância e
generosidade estão em baixa entre a maioria dos jovens brasileiros. Quase um
1/3 deles vive focado apenas no presente. Pior: apenas 19% se consideram leais às
amizades. Infelizmente essa é a marca da geração século 21.
É ruim quando o pilar solidariedade, tolerância e generosidade são
desprezados. É a marca e o triunfo do individualismo. Ou seja, pirão pouco, o
meu prato primeiro. Significa, caso não haja mudança e espero que isto ocorra,
o futuro desta próxima população será tenebroso.
Acostumados com as redes sociais, onde tudo funciona com perfeição,
somente predominando o “mundo cor de rosa”, sem tristeza, cobrança e dinheiro
em abundância, sem o suor derramado por meio do trabalho, a juventude atual não
sabe o que é “ralar” para conquistar o seu lugar ao sol.
Próprio umbigo
Em parte, os pais da geração 1980 têm culpa. Aprenderam a mimar os
filhos. Satisfazendo caprichos, evitando mostrar o lado cruel do mundo. Alguns
até pediram a cabeça de professores nas escolas por notas baixas, por causa da
preguiça de estudar. Essa péssima atitude mostra o resultado agora.
Na vida é importante solidariedade, em qualquer setor, o ser humano não
pode viver só para si, olhando para o próprio umbigo, Exigindo que todos se
prostrem diante dele sem nenhuma contrapartida. Afinal de contas, caixão não
vai sozinho para sepultura. Alguém precisa segurar para descê-lo à cova.
Nas delegacias de todo o Brasil existem diversos Boletins de Ocorrência
descrevendo agressão de filhos, jovens, contra pais idosos. Ingratidão. No
momento em que pai e mãe precisam de apoio recebem socos e pontapés como
retribuição. Diante de policiais, os agressores justificam dizendo que os “velhos”
são chatos demais.
Fugir do prejuízo
Generosidade e lealdade são outros itens deixados de lado pela atual
juventude. Na visão dessa parcela da população, é algo careta, coisa de pessoas
ultrapassadas, das décadas de 60 e 70. O negócio, segundo eles, é pensar no
próprio bem-estar, o resto que se vire para correr e fugir do prejuízo.
Outro reflexo de uma sociedade materialista. O legal é ter dinheiro na conta
corrente, como se nunca o desemprego vá chegar. É o mundo perfeito das redes
sociais. Espaço em que nada de errado acontece. Até nas fotos. Quem é gordo,
vai aparecer magro e o feio torna-se bonito.
Pelo retrato traçado por essa pesquisa, os adultos dos próximos anos vão
sobreviver num mundo cão. Do egoísmo reinando de mãos dadas com a maldade e
ingratidão. Do pega para capar. Clima de guerra nas empresas, onde cada funcionário
puxará o tapete do outro, sem nenhuma lealdade com ninguém. Infelizmente
comerão os frutos das sementes que estão plantando.
*Luís Alberto Alves é jornalista e editor do blogue Boca Ligeira
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