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| A distribuição de cestas básicas é a saída para muitas famílias driblarem a fome em casa |
O desemprego se tornou o fiador para o despejo, aliado com o caos trazido pela pandemia
A manhã desta quarta-feira (29)
era esperança de garantir a comida sobre a mesa de milhares de pessoas que
precisam recorrer a doações para espantar o fantasma da fome do interior de
suas casas. Numa igreja católica no bairro do Paraíso, Zona Sul de São Paulo,
na esquina da Rua Tutóia com Tomaz Carvalhal, distante poucos metros do local onde
muitos brasileiros perderam as vidas sob tortura, no então DOI/Codi, na
ditadura militar, mais de 200 mulheres aguardam a distribuição de cestas
básicas.
É o Brasil atual. Longe dos
holofotes, das mentiras governamentais, principalmente do ministro da Economia,
Paulo Guedes, para quem miséria é invenção da imprensa. Coisa de comunista. De
pessoas interessadas “no quanto pior, melhor”.
Hoje é grande o número de famílias morando nas ruas. O desemprego se
tornou o fiador para o despejo, aliado com o caos trazido pela pandemia.
Próximo de chegar ao 10º mês de
2021 e nada mudou no País. A situação se deteriora a cada dia. Quem driblou a
covid-19 carrega no corpo as sequelas da falta de ar, dores terríveis de cabeça
e na coluna tiram o sossego. É mais fácil conseguir acertar sozinho na
Mega-Sena do que voltar ao mercado, trabalhando com carteira registrada e
demais benefícios.
No dia 26 (domingo), 1,6 milhão
de candidatos disputaram nas salas de aula uma das 4.480 vagas de escriturário
oferecidas pelo Banco do Brasil. A grosso modo eram 3.750 “sem emprego”
tentando agarrar uma das vagas. O sacrifício para impedir o reino da fome
dentro do lar.
Neste quinhão de loucura, os
jovens entram em parafuso. Olham para os pais, já escolados pela vida e experientes
na arte de sustentar a família por meio do salário, e percebem que a situação
deles não é boa. Nem como motorista de aplicativo é possível ganhar alguns
trocados. Por causa da terrível reforma da Previdência da era Michel Temer,
nenhum trabalhador que entrar agora no batente vai conseguir se aposentar antes
dos 65 anos. Como fazer isto, se depois dos 40 anos as empresas não aceitam
contratar alguém com esta idade?
*Luís Alberto Alves é jornalista e editor do Boca Ligeira

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