Pixabay
| Que num futuro não distante, a cor da pele não seja alvo de discriminação |
Os fabricantes de cosméticos ignoravam a existência de #negros
*Luís Alberto Alves
O Brasil é um país com mais de 50% de sua população #negra. Porém, poucos #negros conseguem ocupar cargos de
destaque nas empresas, #Forças Armadas,
cinema, televisão, grande imprensa e entidades de classe.
As polícias, tanto civil quanto a militar, visualizam os
negros como se fossem #criminosos.
Nas academias, os futuros soldados e oficiais são doutrinados a enxergar o #negro como suspeito em qualquer tipo
de situação. Mesmo que estejam bem vestidos.
Até o final da década de 1980, os fabricantes de cosméticos
ignoravam a existência de #negros. Cremes,
xampus e outros produtos de beleza eram produzidos para brancos. Os comerciais de televisão e cinema raramente
colocavam o rosto negro na tela. Apenas mulheres brancas, loiras, de olhos
azuis e homens brancos.
Condição econômica
Toda discriminação é horrível. Porém, o #negro já nasce com o carimbo da perseguição. Logo nos primeiros
anos de escola percebe que é diferente dos demais coleguinhas de turma, quando
chega a hora de voltar para casa. Raramente, por causa da condição econômica,
consegue estudar nos colégios de grife, onde a #elite matricula os seus filhos.
Na periferia, local
com grande número de moradores #negros,
seja adolescente, jovem ou adulto, o #negro
é visto como suspeito nas blitz policiais. Se estiver dirigindo automóvel novo,
top de linha terá de parar e comprovar que o veículo não é roubado ou furtado.
Na faculdade, quando consegue chegar ao nível universitário,
é encarado como algo exótico. Infelizmente a sociedade brasileira visualiza o
negro apenas como jogador de futebol, #sambista
ou dirigente de culto afro. As mulheres, apenas como dançarinas de escola de
samba e objetos de consumo sexuais por turistas, principalmente europeus.
Redes sociais
Quando uma mulher branca se casa com um #negro vai arrumar encrenca com a família e amigos. Poucos aceitam este
tipo de união. Desconhecem que amor ignora cor da pele. Algo invisível para o
coração. O inverso também é alvo de perseguição. O homem branco casando com uma
#negra, é assinatura para desunião
em família.
Hoje, com o mundo plugado nas #redes sociais, o Brasil racista passou a mostrar a sua cara. Não são
novidade para ninguém as mensagens discriminatórias na internet. Alguns dizem
até que racismo é mimimi! Essas pessoas desconhecem a dor de perder um trabalho
por causa da cor, ser preso, perseguido e até ignorado pelo fato de não ter
olhos azuis e pele branca.
Como jornalista e #negro,
já perdi a noção de vezes que dentro de um shopping center os seguranças passam
a me seguir sutilmente, como se eu fosse criminoso. Nas vezes em que estou ao
lado de minha família (minha esposa não é negra), logo percebo os olhares furiosos
em nossa direção.
Avanços tecnológicos
Não posso cometer o desatino de andar de roupa esporte,
dirigindo, que numa blitz policial preciso encostar o carro e mostrar que sou
do bem. Ou seja, preciso andar no riscado, como diz o ditado popular. Minha
família às vezes acha que sou complexado. Até o dia, que a caminho de uma festa
de aniversário, um carro da polícia mandou a gente encostar.
Pelo olhar do #PM,
foi possível perceber que ele não acreditava que o nosso carro, não era fruto de
roubo ou furto. Era nosso! Em pleno século 21, época de grandes avanços da
tecnologia, as relações humanas contra #negros
ainda são pautadas como na época do Brasil império.
Espero que os meus netos (ainda não os tenho) vivam num País,
onde #negros não sejam tratados como
objetos de folclore. Mas como seres humanos. Pessoas que séculos atrás tiveram
os seus antepassados sequestrados de sua terra natal, para se tornarem escravos
em outro continente. Que no futuro, o Dia da #Consciência Negra, seja apenas um feriado. Nada mais.
*Luís Alberto Alves, jornalista e editor do blogue Boca
Ligeira