19 novembro 2021

Níver: Com um ano de Pix, qual o tamanho da transformação no sistema financeiro?

 

O PIx já apresentou diversas mudanças no sistema financeiro

Fica difícil isolar o impacto individual de um único sistema

Julián Colombo

Quando o Banco Central anunciou o novo sistema de pagamento instantâneo brasileiro, o famoso Pix, muitas especulações e discussões sobre qual seria o impacto dessa ferramenta no setor financeiro começaram a surgir. Ao completar um ano de operação, já conseguimos enxergar se, de fato, mudanças e competições previstas aconteceram? Antes de responder a essa pergunta, acredito que seja importante lembrar que, quando estamos no campo da economia, é difícil estabelecer com precisão o impacto de um único evento, pois existem muitas variáveis operando ao mesmo tempo.  

 Só para começar, neste último ano, por exemplo, muito mais que o lançamento do Pix, a economia enfrentou as consequências de uma devastadora pandemia, mudanças significativas no setor financeiro com a chegada do Open Banking, apostas expressivas de investidores em Neobanks, entre outros fatores decisivos que afetam diretamente o comportamento das pessoas e empresas. Por isso, fica difícil isolar o impacto individual de um único sistema , mas me arrisco a tentar. 

 Analisando de uma maneira prática e direta os efeitos do Pix no Brasil, percebemos que sim, as mudanças estão acontecendo e temos alguns números oficiais que demonstram isso. Em seu lançamento, muito se falou sobre os possíveis efeitos positivos na concorrência e consequente democratização dos serviços financeiros. Um indicador muito importante que reflete a  concentração bancária de um mercado é a porcentagem que os cinco maiores bancos de um país representam no crédito total (ou nos depósitos). Se compararmos  esse número, vemos que o Brasil, em 2016, tinha 86% de concentração. Nos  últimos cinco anos, no entanto,  esse indicador tem se reduzido em sete pontos - e cada vez mais rápido - chegando em 2021 perto de 79,5%. Ainda assim os avanços são lentos: o País ainda é um mercado extremamente concentrado, ficando atrás apenas da Holanda, que possui quase 90% de concentração bancária. Nos Estados Unidos esse número está perto de 40%, já a China e Índia ficam entre 35% e 37%.

 Observando a questão da aderência, o Pix foi um sucesso absoluto e é um dos melhores casos de adoção voluntária de um “produto” financeiro no mundo. Em um ano de funcionamento, nove  a cada 10 transferências já são feitas pelo sistema e 105 milhões de pessoas, ou seja, mais da metade da população brasileira,  já usou. Num primeiro momento, quase todas as transações no sistema eram  feitas de pessoa para pessoa, mas agora 16% já são de pagamentos a empresas. O produto está melhorando muito e logo será possível ainda pedir troco, fazer saques e pagar parcelado.  A consequência dessas mudanças e da grande aceitação está também no impulsionamento da concorrência. Se antes, os grandes bancos sempre tiveram vantagens muito expressivas em suas redes de meios de pagamentos, hoje elas perdem importância quando existe uma alternativa mais rápida, confortável, barata e segura e, principalmente, que qualquer banco de médio e pequeno porte podem oferecer. 

 Dentro deste cenário de mudanças no último ano, a pandemia também foi fator determinante para a concorrência financeira e não só no Brasil, mas especialmente aqui. Os grandes bancos brasileiros tiveram historicamente redes de distribuição e atendimento gigantescas, em consonância com o tamanho do país. Há 20 anos, teria sido impossível para um banco sem agências capturar clientes. Mas a tecnologia foi desenvolvida e algumas pessoas, que chamamos de early adopters (primeiros a adotar), começaram a migrar para os canais digitais dos grandes bancos, e depois para Fintechs e Neobanks. A pandemia gerou um problema logístico que fez com que a parcela que não confiava, gostava e/ou entendia os canais digitais foi obrigada a os adotar. Essa mudança forçada  acabou acelerando o processo de digitalização, o que equaliza  hoje o poder de um banco com 5 mil agências com um que não possui nenhuma e está apenas no ambiente digital. 

 Ainda sobre concorrência, não podemos deixar de citar outros exemplos que estão impactando o mercado e ainda terão uma parcela grande nas futuras mudanças dentro do setor financeiro. Os Neobanks possuem recursos enormes para concorrer com os grandes bancos, podendo investir muito mais em publicidade e desenvolvimento tecnológico. Isso porque eles não se importam com o lucro na mesma medida que os bancos tradicionais. Os investidores dos grandes bancos exigem rentabilidade, é claro, mas os investidores dos neobanks querem crescimento de market share, qualidade de atendimento, etc. Ou seja, permitem que eles possam baixar os preços a níveis que os concorrentes diretos não podem acompanhar. 

 Com tantos eventos e acontecimentos neste ano que passou, a mudança em geral está sendo possível graças à parcela de responsabilidade de cada uma delas, seja Pix, Pandemia, Open Banking e Neobanks. O fato é que todos incentivam um mercado mais competitivo, o que desempenha um papel fundamental para a economia do País. 

 *Julián Colombo é economista com mais de 20 anos de carreira em banco,

Economia: Como o setor de cobrança conseguirá retomar o patamar de recuperação de crédito no pós-pandemia?

    Agência Brasil 

A pandemia deixou muitos brasileiros de carteira vazia por causa da crise econômica

Com a mudança no perfil do devedor, as empresas precisam estar mais atentas às suas necessidades

Redação

A pandemia causada pelo coronavírus impactou gravemente alguns setores da economia, entre eles, o de crédito e cobrança. A adaptação aos locais de trabalho e a flexibilização das empresas que migraram para o home office, trouxeram um novo olhar sobre o setor, considerado serviço essencial nesse período.

Com as incertezas de como seria o futuro econômico do país, muitas pessoas deixaram de pagar suas dívidas, fazendo com que as empresas tivessem que se adaptar a essa nova realidade. “Nesse momento, tivemos que estar mais atentos às necessidades do devedor. Flexibilidade, adaptação e análises constantes tornaram-se fundamentais em toda a jornada desse cliente, desde a oferta de crédito até a cobrança”, comenta Edemilson Koji Motoda, presidente do Grupo KSL e Instituto GEOC.

A cobrança digital teve uma grande importância nesse período, porém a humanização do segmento teve que ser ampliada, pois “foi nesse momento que as pessoas quiseram negociar, falar e expor as dificuldades enfrentadas”, descreveu.

Ficou nítido para o mercado que ainda há muito o que aprender e aprimorar para os próximos anos, e que as empresas estão sempre em busca de novas fórmulas e processos que sejam proveitosos para todos. “Percebemos a importância de integrar dentro de toda a jornada de atendimento ao cliente, as operações on e off-line oferecendo assim, uma melhor experiência, mesmo que o mesmo esteja na “esteira” de cobrança. As empresas estão antenadas nos novos perfis e se adaptando a isso com facilidade e rapidez”, pontuou.

Para Roberta Machado, gerente de cobrança do Banco Volkswagen é muito importante ter coragem para inovar no setor. “Estamos passando por uma revolução e ficou claro a necessidade de se ter coragem, capacidade e infraestrutura necessárias além, claro, pessoas capacitadas”. Já Marcelo Marcilio, especialista de recuperação de crédito, acredita que apesar de todos os desafios, o próximo ano será um “‘carvão para lapidar e transformar em um diamante’ e temos muito inteligência e pessoas capacitadas para isso, ferramentas de análise e fortalecer a experiência do cliente serão fundamentais para o sucesso”.

Para Motoda, 2022 ainda será um ano de incertezas. “Estamos acompanhando a volta da inflação, o aumento dos preços, as incertezas do auxílio emergencial, que tanto colaborou para que houvesse picos na recuperação de crédito. Além disso, enfrentaremos uma eleição, mas estamos confiantes que passaremos com êxito”, finalizou.

Economia: Gasolina está 21% mais cara no País nas primeiras semanas de novembro

     Agência Brasil 

O preço dos combustíveis continua subindo em todo o Brasil 

Apenas os Estados da Paraíba e do Sergipe apresentaram baixa no preço do etanol

Redação

Nas primeiras semanas de novembro, o preço médio da gasolina já apresenta alta de 21%, com valor médio sendo cobrado a R$ 6,914. Essa é a sétima alta consecutiva se comparada ao mês de abril, último período de baixa em que o preço do combustível estava saindo a R$ 5,699 - é o que aponta o mais recente levantamento do Índice de Preços Ticket Log (IPTL). O etanol também registrou sua sétima alta seguida em comparação com o mesmo período, com valor médio de R$ 5,795 e aumento de 27%.

“Os dados da Ticket Log apontam que todos os Estados brasileiros apresentaram aumento no preço da gasolina. Quanto ao etanol, apenas a Paraíba teve redução. Considerando a metodologia 70/30, em todos os Estados da região Nordeste, Sul e Sudeste, a gasolina é o combustível mais vantajoso para os motoristas”, explicou Douglas Pina, Head de Mercado Urbano da Edenred Brasil.

Bem como na primeira quinzena de outubro, a gasolina mais cara do Brasil foi comercializada na região Centro-Oeste, com média de R$ 7,054, após o aumento de 7% em relação ao fechamento de outubro. Apesar do menor preço médio do combustível, média de R$ 6,767, o Sul teve o maior percentual de aumento em relação ao mês passado, chegando a 8%. Já o etanol, teve na região Sul a maior média, comercializado a R$ 6,209 nas bombas. O Centro-Oeste, mesmo com o aumento de 10%, teve o litro mais barato, comercializado à média de R$ 5,656.

Na análise por Estado, o Rio de Janeiro apresentou a gasolina mais cara do País, com valor médio de R$ 7,322, aumento de 6,81%. O preço médio mais baixo do combustível foi comercializado no Estado de São Paulo, com valor de R$ 6,430, mesmo com alta de 7%.

Já o maior aumento da gasolina nos primeiros dias do mês foi identificado no Estado de Roraima, passando de R$6,230 para R$6,806, alta de 9,25% em relação ao fechamento de outubro. Não houve redução do preço da gasolina em nenhum Estado.

O etanol apresentou o valor médio por litro mais alto no Rio Grande do Sul, a R$ 6,886, e o mais barato foi comercializado na Paraíba, a R$ 5,138. Em São Paulo, os postos registraram o avanço mais significativo do País, de 12,75%, passando de R$4,684 para R$5,281. Enquanto na Paraíba o valor médio recuou 0,04%, com o litro a R$ 5,138 ante os R$ 5,140 do fechamento de outubro. No Sergipe também houve queda no preço (0,02%), com o valor de R$5,815 baixando para R$ 5,814. 

O IPTL é um índice de preços de combustíveis levantado com base nos abastecimentos realizados nos 21 mil postos credenciados da Ticket Log, que tem grande confiabilidade, por causa da quantidade de veículos administrados pela marca: 1 milhão ao todo, com uma média de oito transações por segundo. A Ticket Log, marca de gestão de frotas e soluções de mobilidade da Edenred Brasil, conta com mais de 30 anos de experiência e se adapta às necessidades dos clientes, oferecendo soluções modernas e inovadoras, a fim de simplificar os processos diários.

Cidades: Autor paulistano lança livro para ajudar as famílias

 Divulgação


Obra ajuda pais e filhos a lidar com este período de hormônios à flor da pele

Redação

Não precisar mais obedecer aos humanos e viver livremente, sem regras. É o que deseja um grupo de treze cães em A Revolução dos Cachorros, nova aventura infantojuvenil escrita pelo professor e mestre em Literatura Comparada Antonio Sampaio Dória. A obra manifesta aos pais e filhos a importância da pré-adolescência para a construção da maturidade durante a caminhada para a vida adulta. As ilustrações de Dannilu Rodrigues estimulam a imaginação de quem mergulha no enredo e dão vida às mensagens deixadas pelo autor.

Muito mais que uma história divertida, repleta de peripécias caninas, a obra tem o propósito de representar um dos períodos mais intensos e caóticos da vida: a pré-adolescência. Hormônios à flor da pele, crises e busca pela independência permeiam este enredo, carregado de referências aos típicos comportamentos e mudanças sentidas dos 9 aos 12 anos de idade.

Após sofrer uma grande decepção com a dona, a poodle Mimi resolve fugir e se junta com um grupo de cães insatisfeitos com os humanos. Sob a liderança de Capitão, um boxer policial, eles pretendem fazer uma revolução para viverem na floresta.

Nesta aventura, o grupo enfrenta cães silvestres malvados e luta pela sobrevivência. Em meio a tudo isso, ainda precisam lidar com o drama adolescente, o preconceito, más influências e drogas. Unidos e com boas ideias, eles conseguirão garantir a segurança de todos.

Ficha Técnica:

Livro: A Revolução dos Cachorros
Autor: Antonio Sampaio Dória
Páginas: 163
Formato: 16x23 cm
Valor: R$ 39,00
Link de venda: Amazon e UmLivro

Sinopse: O que você faria se tivesse de obedecer a seus donos e nunca realizar as próprias vontades? Um grupo de cachorros resolve mudar tudo e fazer uma Revolução. Um acontecimento inesperado na vida de Mimi, uma poodle, faz com que busque liberdade e independência, decisão que rende grandes desafios. As aventuras que enfrentam - inimigos perigosos, os caprichos da natureza, a falta de comida -, sem contar os choques de personalidade, fazem com que todos aprendam sobre a vida e sobre as relações entre caninos. Afinal, os cachorros podem viver sem os seus donos ou não? Esta história, contada com humor, ação e reflexão, é uma resposta a essa pergunta.

Cidades: Muçulmanos oferecerão 1600 refeições para pessoas em situação de rua em SP

A comida, seja de qualquer tipo, é algo raro para moradores em situação de rua


O evento faz parte do calendário do “Islam contra fome” 

Redação

No dia 23 de novembro, a partir das 18h, a Federação das Associações Muçulmanas do Brasil, FAMBRAS, oferecerá um jantar para 1600 pessoas em situação de rua. A ação solidária acontecerá na Barra Funda, no Complexo Boracea – Centro de Acolhida Oficina e contará com a presença do prefeito Ricardo Nunes, além de outras autoridades (citadas no box abaixo). O Complexo Boracea congrega sete diferentes equipamentos públicos de acolhimento destinados ao atendimento pessoas que vivem nas ruas.

O evento faz parte do calendário do “Islam contra fome”, um projeto da FAMBRAS criado para beneficiar com alimentos pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade social. Só em 2021, até o momento, foram realizados mais de 15 eventos com distribuição de cestas básicas, proteína animal e até brinquedos. “O projeto mostra a preocupação do Islam com as pessoas que passam fome ou precisam de ajuda neste momento ainda delicado”, diz Ali Zoghbi, o vice-presidente da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil.

Para Alexsandro de Barros, gerente de serviço do Complexo Boracea, o jantar, para os usuários, é uma demonstração concreta de que eles não são invisíveis aos olhos da sociedade. “Será um dia totalmente diferente para eles e, desde já, somos muito gratos à FAMBRAS e todos os apoiadores”.

Nesta ação que acontecerá no Complexo Boracea – Centro de Acolhida Oficina, a FAMBRAS contou com o apoio da Embaixada dos Emirados Árabes Unidos em Brasília; do Consulado Geral dos Emirados Árabes Unidos em São Paulo; de entidades assistenciais emiradense, além da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social.

 “Islam contra a fome”: jantar solidário

Data: 23 de novembro

Horário: 18h

Endereço: Rua Norma Pierucini Gianotti, 77, Barra Funda.

Cidades: Ministérios Públicos e Defensorias Públicas lançam nota de esclarecimento sobre a execução do TAC com o Carrefour

    Agência Brasil 

O consumidor João Alberto foi agredido por seguranças do Carrefour, em Porto Alegre, e morto

As tratativas para a execução do acordo têm transcorrido de forma adequada e razoável.

Redação

Nesta quinta-feira (18), instituições envolvidas na assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com Carrefour Comércio e Indústria LTDA, Comercial de Alimentos Carrefour LTDA. e Atacadão S.A., firmado em razão da morte de João Alberto Silveira Freitas, há um ano, em uma das unidades do Carrefour em Porto Alegre (RS), lançaram nota de esclarecimento negando informações veiculadas pela Imprensa a respeito de Organizações Não Governamentais supostamente beneficiadas com valores no acordo.
Pelo TAC, a empresa deve destinar R$ 115 milhões para estabelecimento de políticas internas de enfrentamento ao racismo e de reparação coletiva. Na nota, as instituições, entre elas a DPU, asseguram que as providências à correta execução do TAC têm sido adotadas, em caráter preventivo, e que as tratativas para a execução do acordo têm transcorrido de forma adequada e razoável.

Veja a nota:

Nota de Esclarecimento dos Ministérios Públicos e Defensorias Públicas sobre a execução do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Carrefour, em procedimentos coletivos instaurados em razão da morte de João Alberto Silveira Freitas

É de amplo conhecimento que  o Ministério Público Federal (MPF), o Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul (MPRS), o Ministério Público do Trabalho (MPT), a Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul (DPE-RS), a Defensoria Pública da União (DPU) firmaram Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com Carrefour Comércio e Indústria LTDA, Comercial de Alimentos Carrefour LTDA. e Atacadão S.A., em 11 de junho de 2021, que totalizou o valor de R$ 115 milhões para estabelecimento de políticas internas de enfrentamento ao racismo e de reparação coletiva.

A atuação dos órgãos públicos se deu em razão da morte de João Alberto Silveira Freitas, no dia 19 de novembro de 2020, no Carrefour da zona norte de Porto Alegre (RS). Vale lembrar que João Alberto, um homem negro, fazia compras com a esposa quando foi abordado violentamente por dois seguranças no estabelecimento. Ele foi agredido com chutes e socos por mais de cinco minutos, sufocado e não resistiu. O espancamento foi registrado em vídeo por uma câmera de celular. A morte violenta de João Alberto ganhou destaque na mídia porque ocorreu às vésperas do Dia da Consciência Negra, 20 de novembro.

Após o fato, os órgãos públicos signatários do TAC instauraram procedimentos e ação civil pública com o fim de apurar a responsabilidade civil por danos morais coletivos, bem como o funcionamento de mecanismos de segurança privada.

Em 11 de junho de 2021, aproximadamente 6 meses após a morte de João Alberto, foi assinado o TAC. Conforme o acordo, cabe ao Carrefour a adoção e execução de um Plano Antirracista a partir do estabelecimento de ações que vão desde protocolos de segurança, relações de trabalho, canal de denúncias, treinamentos para dirigentes e trabalhadores em relação a atos de discriminação e no que consiste ao racismo estrutural, compromissos em relação à cadeia ou rede de fornecedores, até a reparação de danos morais coletivos. Nesse sentido, o valor acordado terá como destino iniciativas como a oferta de bolsas de educação formal (R$ 74 milhões), contribuição para projeto museológico (dois milhões), campanhas educativas e projetos sociais de combate ao racismo (R$16 milhões), além de projetos de inclusão social (R$ 10 milhões), entre outras.

A implementação das medidas previstas no TAC vem sendo acompanhada e fiscalizada pelos órgãos públicos, tendo já ocorrido diversas reuniões entre estes e representantes e advogados do Grupo Carrefour, de forma a dar cumprimento às obrigações assumidas no acordo.

Em se tratando de programas de amplo alcance social, com investimentos robustos, os órgãos públicos envolvidos têm adotado extrema cautela para que as cláusulas sejam executadas da maneira mais transparente possível e com maior eficácia social, o que demanda diversas deliberações e ajustes nos programas de ações a serem adotadas pelo Grupo Carrefour.

Em relação ao programa de bolsas destinado ao custeio de cursos de graduação e programas de pós-graduação, conforme estabelecido no Acordo, uma banca composta pelos órgãos públicos, representantes do Grupo Carrefour e uma representante da Associação Brasileira de Pesquisadoras e Pesquisadores Negros e Negras (ABPN) tem se reunido regularmente para formulação de um edital de seleção de instituições de ensino superior que poderão se beneficiar do programa, condicionado à destinação exclusiva das bolsas a pessoas negras. O edital será lançado em breve.

Os valores destinados a projetos específicos já foram empenhados, conforme boletim anexo. Essas ações estão sujeitas à fiscalização pelos órgãos públicos e auditoria, conforme previsto no acordo.

As medidas estabelecidas no TAC referem-se àquelas firmadas a título de responsabilização coletiva, não interferindo nos demais compromissos públicos assumidos pelo Carrefour, assim como não interfere nos compromissos firmados em acordos individuais para fins de reparação à família de João Alberto Silveira Freitas.

Importante informar que a responsabilização criminal dos responsáveis pela morte de João Alberto não foi afetada pela celebração do TAC, seguindo o trâmite dos processos que visam à condenação dos responsáveis na justiça criminal estadual de Porto Alegre.

Cumpre esclarecer que não são verdadeiras as afirmações observadas em matérias de alguns veículos de imprensa de que as Organizações Não Governamentais Educafro e Centro Santos Dias ou qualquer outra entidade tenham sido direta ou indiretamente beneficiadas com qualquer valor estabelecido no acordo. Ainda, a demanda referente a honorários advocatícios não está prevista no TAC, e se encontra posta em litígio proposto por aquelas associações diretamente em face do Grupo Carrefour.

Para os órgãos públicos compromitentes, o acordo nos patamares negociados e firmados representa resposta relevante à sociedade e fixou um importante paradigma para o enfrentamento ao racismo e aplicação dos direitos humanos ao setor econômico privado em razão de práticas discriminatórias. Todas as providências à sua correta execução têm sido adotadas, em caráter preventivo, pelos órgãos competentes para fiscalização de sua execução, sem prejuízo de eventuais medidas corretivas, extrajudiciais ou judiciais, em relação ao compromissários em caso de inexecução ou execução não satisfatória, caso seja necessário.

Por ora, informamos que as tratativas para a execução do acordo têm transcorrido de forma adequada e razoável, de sorte que o eventual alongamento do prazo para início da execução de algumas ações tem se dado por deliberação colegiada dos órgãos públicos para que sejam aprimorados mecanismos de execução e de auditoria das obrigações.



Opinião: Infelizmente, o Brasil continua racista!



    Pixabay
Que num futuro não distante, a cor da pele não seja alvo de discriminação


Os fabricantes de cosméticos ignoravam a existência de #negros

*Luís Alberto Alves

O Brasil é um país com mais de 50% de sua população #negra. Porém, poucos #negros conseguem ocupar cargos de destaque nas empresas, #Forças Armadas, cinema, televisão, grande imprensa e entidades de classe.

As polícias, tanto civil quanto a militar, visualizam os negros como se fossem #criminosos. Nas academias, os futuros soldados e oficiais são doutrinados a enxergar o #negro como suspeito em qualquer tipo de situação. Mesmo que estejam bem vestidos.

Até o final da década de 1980, os fabricantes de cosméticos ignoravam a existência de #negros. Cremes, xampus e outros produtos de beleza eram produzidos para brancos.  Os comerciais de televisão e cinema raramente colocavam o rosto negro na tela. Apenas mulheres brancas, loiras, de olhos azuis e homens brancos.

Condição econômica

Toda discriminação é horrível. Porém, o #negro já nasce com o carimbo da perseguição. Logo nos primeiros anos de escola percebe que é diferente dos demais coleguinhas de turma, quando chega a hora de voltar para casa. Raramente, por causa da condição econômica, consegue estudar nos colégios de grife, onde a #elite matricula os seus filhos.

 Na periferia, local com grande número de moradores #negros, seja adolescente, jovem ou adulto, o #negro é visto como suspeito nas blitz policiais. Se estiver dirigindo automóvel novo, top de linha terá de parar e comprovar que o veículo não é roubado ou furtado.

Na faculdade, quando consegue chegar ao nível universitário, é encarado como algo exótico. Infelizmente a sociedade brasileira visualiza o negro apenas como jogador de futebol, #sambista ou dirigente de culto afro. As mulheres, apenas como dançarinas de escola de samba e objetos de consumo sexuais por turistas, principalmente europeus.

 

Redes sociais

Quando uma mulher branca se casa com um #negro vai arrumar encrenca com a família e amigos. Poucos aceitam este tipo de união. Desconhecem que amor ignora cor da pele. Algo invisível para o coração. O inverso também é alvo de perseguição. O homem branco casando com uma #negra, é assinatura para desunião em família.

Hoje, com o mundo plugado nas #redes sociais, o Brasil racista passou a mostrar a sua cara. Não são novidade para ninguém as mensagens discriminatórias na internet. Alguns dizem até que racismo é mimimi! Essas pessoas desconhecem a dor de perder um trabalho por causa da cor, ser preso, perseguido e até ignorado pelo fato de não ter olhos azuis e pele branca.

Como jornalista e #negro, já perdi a noção de vezes que dentro de um shopping center os seguranças passam a me seguir sutilmente, como se eu fosse criminoso. Nas vezes em que estou ao lado de minha família (minha esposa não é negra), logo percebo os olhares furiosos em nossa direção.

Avanços tecnológicos

Não posso cometer o desatino de andar de roupa esporte, dirigindo, que numa blitz policial preciso encostar o carro e mostrar que sou do bem. Ou seja, preciso andar no riscado, como diz o ditado popular. Minha família às vezes acha que sou complexado. Até o dia, que a caminho de uma festa de aniversário, um carro da polícia mandou a gente encostar.

Pelo olhar do #PM, foi possível perceber que ele não acreditava que o nosso carro, não era fruto de roubo ou furto. Era nosso! Em pleno século 21, época de grandes avanços da tecnologia, as relações humanas contra #negros ainda são pautadas como na época do Brasil império.

Espero que os meus netos (ainda não os tenho) vivam num País, onde #negros não sejam tratados como objetos de folclore. Mas como seres humanos. Pessoas que séculos atrás tiveram os seus antepassados sequestrados de sua terra natal, para se tornarem escravos em outro continente. Que no futuro, o Dia da #Consciência Negra, seja apenas um feriado. Nada mais.

*Luís Alberto Alves, jornalista e editor do blogue Boca Ligeira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

17 novembro 2021

Flash Back: "Fim de semana no parque" - Racionais Mcs


Luís Alberto Alves/Hourpress

Década de 1990, o hit #"Fim de semana no parque" dos #Racionais MC´s 
explodiu nos bailes. Com o passar dos anos virou o hino da periferia. A dura realidade das pessoas que vivem distantes dos grandes centros das cidades espalhadas Brasil afora. Passados mais de 25 anos, 
essa dura realidade ainda permanece.




Ecologia: Pará e Acre são os estados com maior risco de desmatamento no Brasil

 



Os rankings, que correspondem ao período de 1º de agosto de 2021 a 31 de julho de 2022

Redação

A PrevisIA, ferramenta lançada em agosto de 2021 e que antecipa informações de regiões com maior risco de desmatamento e incêndios na Amazônia por meio de Inteligência Artificial (IA), já identificou quais as regiões com maior risco na Floresta Amazônica. A partir de dados diversos, como topografia, cobertura do solo, infraestrutura urbana, estradas oficiais e não oficiais e dados socioeconômicos, a ferramenta identificou que 11.570 km² da Amazônia legal estão sob risco alto e muito alto de desmatamento. O Pará (com 40,1% do total da área de risco desmatamento em 2022), e Acre (com 16,2%), são os principais estados sob risco, em primeiro e segundo lugar, respectivamente. Em relação aos municípios, São Félix Do Xingu, situado no Pará, é o mais ameaçado, seguido por Altamira, também no mesmo estado. A iniciativa é fruto da parceria entre a Microsoft, Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e Fundo Vale. 

A plataforma também identificou que dentre as terras indígenas sob maior risco de desmatamento, as três primeiras fazem parte do estado do Pará. São elas: Apyterewa, Mundurucu e Trincheira/Bacajá. Já com relação às Unidades de Conservação Estaduais (UCEs) com maior desmatamento previsto, o ranking destaca a APA Triunfo do Xingu em primeiro lugar, seguida pela FLOREX Rio Preto-Jacundá e pela RESEX Jaci Paraná. Das Unidades de Conservação Federais (UCFs), a RESEX Chico Mendes é a mais ameaçada, seguida pela APA do Tapajós e FLONA do Jamanxim


Os rankings, que correspondem ao período de 1º de agosto de 2021 a 31 de julho de 2022, antecipam informações sobre o desmatamento na Amazônia que podem contribuir para a preservação de florestas e regiões que, além de conterem parte da fauna e flora brasileiras, também abrigam povos e culturas de base. “As informações coletadas e analisadas pela PrevisIA são de extrema relevância para que os setores público e privado, assim como a sociedade, possam se unir e tomar atitudes para que a previsão não se torne realidade. A Floresta Amazônica é responsabilidade de todos nós e, com essa plataforma temos a chance de utilizar dados e tecnologia ao nosso favor e combater o desmatamento”, explica Lucia Rodrigues, Líder de Filantropia da Microsoft Brasil. 

Carlos Souza Jr, pesquisador associado do Imazon diz que “o grande avanço deste projeto foi democratizar o acesso a recursos avançados de Tecnologia da Informação para facilitar o engajamento de diversos usuários e organizações na prevenção e no controle do desmatamento”. 

“O PrevisIA tem potencial de ser usado também para avaliar áreas de restauração florestal e vulnerabilidade ao fogo, ajudando a produzir dados mais concretos para arranjos de REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação) em parceria com comunidades locais, que poderão ser adotados pela Vale em mercados de créditos de carbono”, explica Patrícia Daros, diretora do Fundo Vale, mantido pela Vale. A mineradora assumiu o compromisso de zerar suas emissões de carbono até 2050. Entre as iniciativas, está a meta de recuperar e proteger 500 mil hectares de florestas até 2030. Atualmente, a empresa já ajuda a proteger aproximadamente 1 milhão de hectares de florestas no mundo, dos quais 800 mil na Amazônia. 

A ferramenta também foi apresentada na COP26, Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, realizada em Glasgow, na Escócia. A utilização da plataforma foi abordada no painel “Metas baseadas em ciência: o papel de governos subnacionais e non-state actors brasileiros na implementação do Acordo de Paris” que contou com a participação de Lucia Rodrigues, Líder de Filantropia da Microsoft Brasil; Helder Zahluth Barbalho, governador do Pará; e Andrea Alvares, vice-presidente de Marca, Inovação, Internacionalização e Sustentabilidade da Natura; debatendo sobre o que as metas climáticas baseadas na ciência significam para diferentes setores e por que elas são estratégias-chave para um ciclo virtuoso de ambição Net-Zero. 

Parceria da PrevisIA com Ministério Público do Pará 

Com os dados gerados pela ferramenta, os setores público e privado podem tomar iniciativas focadas na prevenção do desmatamento, uma vez que prevenir demanda menos custos do que recuperar. Como desdobramento da iniciativa, para alavancar o uso da PrevisIA, o Imazon firmou uma parceria com o Ministério Público do Pará (MPPA) e o Centro de Apoio Operacional Ambiental (CAO AMBIENTAL), com o objetivo de fornecer subsídios técnicos visando a cooperação e o intercâmbio de informações entre os dois órgãos. Nessa iniciativa, o Imazon oferecerá apoio técnico e acesso a informações qualificadas, bem como treinamentos, oficinas e atuações conjuntas com ambos os órgãos. 

Inicialmente, foi escolhido como piloto o município de Altamira, no Pará, que possui 159.533 km² de área territorial (segundo o IBGE) e está no ranking dos dez municípios que mais contribuem com o desmatamento na Amazônia. Diante dessas circunstâncias, o Imazon está conduzindo o diagnóstico do desmatamento na região, levando em consideração a situação territorial, os dados de alertas de desmatamento, a história do desmatamento baseada no Prodes e o risco de desmatamento previsto na PrevisIA. 

As informações fornecidas pela PrevisIA e pelo Imazon serão usadas para a criação de um plano de atuação do MP-PA para a preservação das florestas no estado. A partir do diagnóstico e da atuação na prática, o órgão espera monitorar e avaliar os resultados, para reduzir os índices de degradação ambiental por meio de medidas preventivas, e, em última instância, legais, para evitar o desmatamento nos municípios - com base nas estatísticas providas pela plataforma. Por exemplo, o MP-PA pode liderar as ações para remover cadastros ambientais rurais (CAR) em áreas de proteção integral; avaliar se as ações de fiscalização estão ocorrendo em áreas com maior risco, garantindo assim maior eficácia no combate ao desmatamento e no uso de recursos públicos. Além disso, a expectativa é ampliar a aplicação da PrevisIA em outros municípios da Amazônia. 

A ferramenta 

A PrevisIA é uma das iniciativas do “Microsoft Mais Brasil”, um plano abrangente que tem como objetivo apoiar a retomada econômica do país por meio de um conjunto de ações e investimentos, lançado em outubro de 2020 e que acaba de completar um ano de existência. O programa é dividido nos pilares de “educação, capacitação profissional e empreendedorismo”, “habilitação da economia digital por meio da tecnologia” e “crescimento sustentável e impacto social”, frente da qual PrevisIA faz parte. 

Desenvolvida em parceria com o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e Fundo Vale, ela utiliza, recursos avançados de nuvem do Microsoft Azure e com o algoritmo de IA desenvolvido pelo Imazon para detectar estradas em imagens de satélites, a PrevisIA está analisando dados diversos para identificar possíveis tendências de conversão da floresta pelo desmatamento. Essas informações estão sendo divulgadas publicamente em um painel de controle da iniciativa e poderão ser usadas por órgãos públicos para o planejamento e execução de ações preventivas, de combate e controle ao desmatamento. 

A PrevisIA conta com diversas fontes de informação, como imagens de satélite da floresta, que geram um grande volume de dados. Para que essas informações sejam analisadas de forma rápida e inteligente, são utilizados recursos de Big Data e Inteligência Artificial (IA). Dessa forma, é possível analisar grande volume de dados e fazer um monitoramento constante retornando informações em tempo real de regiões com maior risco de desmatamento e incêndios na Amazônia, para facilitar a tomada de decisão e o controle destas áreas. 

Para conferir essas e outras informações, visite previsia.org

Saúde: Cinco mitos e verdades do cateterismo

    Arquivo


Doenças do coração são motivo de 30% das mortes por ano no Brasil

Dr. Elcio Pires Junior

As doenças cardiovasculares são líderes de mortalidade no Brasil. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), cerca de 14 milhões de brasileiros têm alguma doença no coração, sendo o motivo de 30% das mortes por ano no país.

A medicina cardiológica está bastante evoluída e tem exames e tratamentos que podem ajudar na prevenção e diminuir o número de infartos e outras doenças, como o cateterismo, que avalia a obstrução das artérias coronárias ou o funcionamento das valvas e do músculo cardíaco.

O exame pode ser feito antes de uma intervenção, como a angioplastia, ou em emergências, como no caso de um infarto agudo do miocárdio.

Quando o paciente é informado que precisa realizar esse procedimento, fica com dúvidas e apreensivo. Por isso, o cirurgião cardiovascular e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, Dr. Elcio Pires Junior, listou alguns mitos e verdades sobre o cateterismo. Confira:

 - O procedimento só pode ser feito em adultos. Mito! O cateterismo não tem restrição de idade e pode, inclusive, ser realizado em recém-nascidos para diagnosticar problemas congênitos.

- O cateterismo serve para desentupir o vaso. Mito! Ele visa diagnosticar e avaliar a necessidade de um procedimento, que vai desentupir o vaso bloqueado. 

- A inserção do cateter pode ser feita em vários locais do corpo. Verdade! O exame pode ser feito por meio dos vasos sanguíneos dos braços ou das pernas. A maioria dos especialistas acabam preferindo fazer pelo braço, pois é mais confortável para o paciente.

- O cateterismo oferece riscos. Verdade! O procedimento é seguro, porém, alguns pacientes manifestam reação alérgica ao iodo, que é utilizado para contraste. Há também relato de lesões nos vasos sanguíneos, sangramento no local onde o cateter foi inserido e arritmias cardíacas.

- Tenho alergia ao iodo, por isso não posso fazer cateterismo. Mito! A concentração de iodo é pequena e a possibilidade de alergia é baixa. Porém, o médico precisa ser avisado.

 Dr. Elcio Pires Junior: coordenador da cirurgia cardiovascular do Hospital e Maternidade Sino Brasileiro - Rede D'or - Osasco, e coordenador da cirurgia cardiovascular do Hospital Bom Clima de Guarulhos.


Saúde: Como prevenir e tratar a obesidade infantil?

    Agência Brasil 

A obesidade infantil raramente é vista em decorrência de algum problema de saúde

Em sua grande maioria, a doença é fruto de maus hábitos, principalmente alimentares 

Patrícia Consorte

A obesidade infantil é considerada como um dos problemas de saúde mais graves deste século, segundo a própria Organização Mundial da Saúde (OMS). Com um aumento de casos registrados durante a pandemia, a melhor forma de tratamento para a obesidade é a prevenção, que já deve ser iniciada no momento em que o bebê está em formação na barriga da mãe, uma vez que as chances de ser revertida ao longo do crescimento da criança são reduzidas significativamente a cada ano que a criança se mantém obesa.

Ao contrário do que muitos imaginam, a obesidade infantil raramente é vista em decorrência de algum problema de saúde ou histórico familiar. Em sua grande maioria, a doença é fruto de maus hábitos, principalmente alimentares – não apenas da criança, mas em muitos casos, de toda a família. Aliado à essa causa, está a baixa frequência de atividade física, hábito que também piorou durante a pandemia.

Muitos estudos mostram inúmeros fatores de risco para a doença estão presentes antes mesmo da gestação. Mães tabagistas ou com hábitos alimentares que incluem alimentos gordurosos, ultra processados e calóricos, tendem a ter filhos com mais chances de desenvolver a doença. Como resultado desta combinação de fatores, cerca de 6,4 milhões de crianças têm excesso de peso no Brasil atualmente, junto com 3,1 milhões que já evoluíram para obesidade, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde.

Estudos mostram que quando a obesidade é diagnosticada antes dos cinco anos de idade, as chances de tratamento eficaz são de apenas 10%. Para piorar, a cada ano, essa porcentagem é ainda mais reduzida, aumentando o risco de se tornarem adultos com hipertensão, alterações no colesterol, predomínio de gordura abdominal e, principalmente, resistência à insulina, que pode ocasionar infertilidade já na adolescência - essas alterações irão constituir a Síndrome Metabólica, aumentando o risco de doenças cardiovasculares e cerebrovasculares.

Muitas crianças e, principalmente adolescentes desenvolvem, até mesmo, distúrbios psicológicos, como depressão, ansiedade, de imagem e alimentares, como bulimia e compulsão alimentares, o que costuma impactar em absenteísmo, mau desempenho escolar e, até mesmo, no seu futuro profissional.

Os maus hábitos alimentares podem ser agravados por refeições em frente às telas, nas quais os pequenos perdem a capacidade de autorregulação dos alimentos ingeridos – além de diminuir o tempo de atividade física. A intervenção medicamentosa é a última opção nos casos registrados dessa doença, porém bem indicada quando necessário. Prevenir é sempre o melhor caminho.

A medicina de prevenção é a melhor estratégia para garantir um crescimento saudável e evitar uma nova geração de adultos doentes. Afinal, se os casos continuarem a crescer, nem mesmo o Sistema Único de Saúde terá capacidade e estrutura adequada para tratar a alta demanda.

A obesidade infantil já é uma epidemia, que necessita ser combatida imediatamente. O ajuste da curva de crescimento da criança deve ser feito desde o planejamento da gestação, por meio da programação metabólica. As futuras mamães devem, desde cedo, criar hábitos alimentares saudáveis, ingerindo fibras que auxiliem na regulação da insulina, como frutas e vegetais. O aleitamento materno também é extremamente benéfico na criação de uma microbiota saudável.

Em conjunto, a prática de exercícios não deve ser deixada de lado. Para os pequenos, incentive atividades ao ar livre, se possível em contato com a natureza. Quanto mais tempo esperarmos, menores serão as chances de tratar esta doença silenciosa que, não distingue entre classes sociais para impactar severamente a saúde dos nossos pequenos.

 Dra. Patrícia Consorte é pediatra e especialista em nutrição materno-infantil.

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